sábado, 17 de maio de 2008

Teoria da Conspiração sobre a Conduta

Certamente todos nós, algum dia, de alguma forma tentamos justificar um acontecimento nos baseando em fatos que nem nós mesmos conhecemos, mas que percebemos uma lógica incomum e montamos uma hipótese. É isso que os intelectuais chamam de teoria da conspiração.

Evidentemente, associamos à teoria da conspiração a fatos muito estranhos que tem grande repercussão mundial, tais como discos voadores, genocídios, etnocídios, etc.. Também é certo que se não formos muito religiosos, hora por outra ficamos sem explicações sensatas para algumas questões acerca do nosso próprio comportamento. Em virtude disso, recorremos ao nosso subconsciente visando elucidar a procedência de alguns de nossas perplexidades comportamentais.

De acordo com a Física clássica, toda variação de estado da matéria de um determinado corpo é reflexo direto das intempéries do meio que ele está inserido. Eu creio que essa é uma lei universal válida inclusive para a conduta humana. De alguma forma, espelhamos nossa posição relativa ao tempo e ao espaço que estamos incluídos. Fazemos isso não porque imaginamos ser a maneira mais prudente de agir, mas porque é uma determinação do meio.

Seguindo essa lógica, é por isso que todo chefe deve agir como um monstro com seus subordinados, que todo rico deve ser arrogante, que todo homem deve ser machista. Se os chefes deixassem de ser monstros iriam até servir café para seus empregados, se os ricos deixassem de ser arrogantes em pouco tempo ficariam pobres de tanto ajudar os necessitados, se os homens deixassem de ser machistas além de trabalhar o dia todo ainda iriam fazer a janta para a esposa e os filhos. Isso tudo é o sistema que define, não é um desejo de quem está envolvido.

Ainda seguindo essa mesma lógica, sobre um aspecto mais profundo, se agimos como um idiota, necessariamente não implica ausência de capacidade nossa. Se nos apresentamos como insociáveis, isso, por si só, não é suficiente para provar que somos misantropos. Se nos comportamos com aparente insensibilidade e frieza, certamente não caracteriza nossa incapacidade de amar. Todas essas são formas de procedermos com segurança quando o sistema exige nossa adaptação em um ambiente até então desconhecido.

Desta forma, o ambiente não só exerce influência sobre nós, mas nos condiciona transmitirmos suas regras de perpetuação, permitindo a evolução de quem melhor se adapta. Portanto, cada vez que mudarmos nossa posição no tempo e no espaço, devemos, necessariamente, mudar de comportamento.

Valdenir Lima

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Como vi[ver] a vida

Vez em quando eu sou acometido por um pensamento estranho que insiste em me lembrar da morte. Então eu passo a pensar no dia em que eu vou morrer. Fico imaginando que um dia eu vou pensar estar despertando de um sonho, quando a minha visão estiver embaçada, que estiver misturando a ótica real com a virtual, e enfim mergulhar na escuridão e nunca mais voltar a emergir.

Evidentemente ficarei confuso quando a minha vista ofuscada tornar pegar nitidez e então enxergar meu corpo estático ali jazido. Certamente olharei meu corpo de vários ângulos para me certificar que sou eu. A minha reação de olhar para mim e depois para meu corpo, enxergando dois eus ao mesmo tempo e em espaços diferentes, naturalmente não vai ser boa. Assim como será o meu comportamento quando perceber que estou flutuando no universo, quando estiver atravessando os objetos sólidos, quando ninguém mais poderá me ver, nem se quer poderá me ouvir.

Imagino como serão as pessoas falando de mim na minha cara. Eu vou está ali do lado do meu corpo e ficarei escutando os comentários, sentindo a dor de alguns, vendo as lágrimas fingidas de outros. Ninguém saberá, mas eu estarei ali observando tudo. Neste momento eu poderei observar coisas surpreendentes. Amigos que eu nunca mais tinha visto estarão ali, pessoas que eu jamais pensei que fossem se comover tanto estarão inconformadas, outras, que eu imaginava fazer muita falta, poderão mensurar a perda.

Durante o meu sepulcro, vou sentir grandes emoções e ninguém poderá me consolar. Irei encontrar pessoas com as quais eu terei um monte de coisas pra falar e não poderei dizer nada, nem naquele momento nem nunca mais. Nunca mais terei a oportunidade de falar para uma determinada pessoa o quanto ela foi importante para mim, nunca mais vou poder pedir perdão por um erro que cometi mesmo tendo bem na minha frente a pessoa que eu machuquei toda propícia a me perdoar. Nunca mais poderei dizer para quem eu tanto quis o quão grande era o meu amor por ela.

Continuarei convivendo por um determinado tempo com aqueles meus entes queridos, mesmo depois que o meu corpo for sepultado. Quando então perceber que começarei cair no esquecimento partirei para outra morada. O que me deixará muito triste são minhas coisas que não poderei levar comigo. Não estou me referindo das coisas materiais, mas das coisas que são mantidas por mim. O que serão daqueles arquivos que só eu tenho a senha? Quem responderá meus e-mails?

É justamente dessas coisas que só eu tenho acesso que vou sentir falta. Ninguém poderá mantê-las para mim. Provavelmente será nessa altura da pós-vida que sentirei o meu fim. Será muito deprimente perceber que o sistema continuará funcionando perfeitamente mesmo faltando uma peça dele. Mas toda vez que alguém tentar acessar um arquivo meu e este requerer minha senha, vou sentir que poderei ser, em algum momento esquecido, mas jamais poderei ser substituído. Sentirei que fui único e insubstituível na terra!

Valdenir Lima